S01 EP 01 - 13/02/2021 - Sonho ou realidade?

Sessão 01: Sonho ou realidade?
Muitos são os escolhidos por Deus para completar missões em seu nome na Terra. Alguns chamam de samaritanos, outros de anjos e nós, de Anunnaki. Em 1930 o mundo estava numa grave perturbação cósmica que ardentemente poderia colocar o ígneo molho das profundezas do oceano a afogar tudo quanto fosse vida. Foi nesse ano que surgiram alguns escolhidos por Anunnaki, ou por alguma força superior.

Maxwell Crowley, um investigador particular, começa a tomar conhecimento de uma série de assassinatos macabros por toda Nova York. Os corpos, em sua maioria, eram encontrados sem sangue, sem vísceras ou contendo alguma decapitação.  Suas investigações o levaram até o corpo da jovem Amanda Phillips, encontrada à beira das águas negras do Hudson. Ao levar a notícia da morte da jovem para seu filho Howard Phillps, Crowley se encontra com Ray Corleone, um imigrante ítalo-americano zelador da escola R.E. Howard. Ambos recebem a notícia que o corpo da jovem Amanda seria velado com missa de corpo presente e extrema unção na paróquia do reverendo Fox, responsável pela cristandade da ilha de Manhatthan.

Do outro lado da ilha, Kyle Thompson, um ascendente jornalista investigativo, à sua própria maneira, têm contato com a série de assassinatos bárbaros ocorridos na grande maçã. A histeria coletiva dava conta de um novo Jack The Ripper, só que a perspicácia de Kyle ia bem além do óbvio. Ele sabia que algo grande poderia estar acontecendo e, dessa forma, vai se encontrar com o restante do sindicato na entrevista coletiva do novo comissário de polícia Zack Perry. 

Na santíssima igreja do reverendo Fox o corpo sem vida de Amanda cheirava insanamente a peixe podre como se algo diretamente saido das profundezas pútridas do oceano negro estivesse ali para consumir os vivos com o pútrido azedume que exalava em suas narinas. Ele termina sua missa e acaba tendo que conversar com o zelador Ray Corleone, pois ele mesmo sentia o mesmo cheiro pútrido. Ray e Fox sabiam que algo além do sobrenatural os unia naquela manhã cinzenta de quinta-feira. 


Do outro lado da igreja, cruzando a Times Square na 42 com a Broadway, a coletiva de imprensa não ia bem. Aurora Redwood, antiga comissária, fora rebaixada de cargo e, em seu lugar, Zack Perry assumiu como líder da polícia da ilha. Obviamente isso se deu devido à amizade de Perry com o governador e conchavos assim eram comuns desde a crise de 29. Aurora, sendo amiga pessoal e uma querida para Crowley, decide pedir ajuda dele para resolver os casos misteriosos em Manhattan. Resoluto em tentar conseguir algo além do trivial, ambos Kyle e Crowley decidem que vão fazer algo.

Todos os quatro, Kyle, Crowley, Ray e Fox possuíam conexões com o sobrenatural. A sombra do limiar entre a loucura e a sanidade sempre permaneceu pairando desde suas infâncias até hoje. Era como se eles fossem uma espécie mórbida de sensitivos, só que bailando entre um domingo de sol com a família e uma madrugada num sanatório. No entanto, mesmo no irromper do exótico, algo os unia em suas sensitividades: as profundezas do oceano. O cheiro pútrido de peixe parecia estar com eles desde sempre quando o além-mundo os tocava na alma e as lembranças da negritude do mar e do desespero vindos do afogamento de suas águas eram pesadelos constantes para eles. Fox lutou na primeira grande guerra, Ray viu o inferno desde a doença de sua esposa tomada por um câncer misterioso, Kyle também possuia o sofrimento do passado e Crowley havia visto o inferno em seu tempo na polícia. A morte fria e gelada das profundezas do oceano parecia sempre estar sempre perto de beijar seus lábios. 

Tais contatos com o mundo sobrenatural tornaram-se cada vez mais frequentes hoje em dia e a sensação de se estar sonhando acordado parece acontecer a todo momento. A frase "Será que estou ficando louco?" era uma companheira constante para todos eles a ponto de evitar tocarem no assunto ou contestarem olhares estranhos numa auto tentativa clara de se manter afastado da loucura. Existiam mesmo assassinatos ou eles estavam deixando o contato morno da realidade sozinho num quarto escuro? 

Pela manhã, ambos os quatro têm um estranho sonho no qual eram levados presos pelo comissário Perry que os bodejava e praguejava: "podem me dizer porque o corpo dessa jovem morta tinha um envelope em branco contendo os nomes de vocês vermes?". É nesse momento que uma criatura divina luta contra um comissário tomado pelos demônios gritando a frase repetidas vezes "Salve-nos em Arkham! Salve-nos em Arkham! Só vocês podem nos ajudar!". E, num ato reflexo seguido de uma luz negra atordoante, o demônio anuncia: "Vocês já estão mortos!". É quando acordam na delegacia de polícia como se nada tivesse acontecido. Na verdade o comissário Perry os havia chamado para pedir ajuda para solucionar os assassinatos, sem animosidade ou demonização no coração. Entretanto, absurdamente, marcas de luta ainda estampavam sucintas o chão e a fechadura da porta a qual a criatura divina arrombou no pesadelo. Eles já não sabiam o que daquilo era realidade ou pesadelo e o fim do tormento parecia estar apenas começando quando percebem que já era noite em Manhattan. 

Do lado de fora da delegacia ambos os quatro ouvem os gritos desesperados de socorro vindos das pedras da praia do porto. Era uma voz feminina e ardente de desespero e que parecia estar implorando para não ser sugada para as profundezas do oceano. Eles mal poderiam acreditar no que viam, era uma moça subversivamente rasgada tendo seu sangue sugado por homens-peixes de aparência tão grotesca que seu mero semblante já causava horror. Era um momento decisivo, mas, será mesmo a tormenta dos assassinatos na ilha ou apenas a loucura invadindo suas mentes? Será sonho ou realidade?

NPCS DO CAPÍTULO






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